Desenvolvimento seguro na prática

Desenvolvimento seguro na prática: etapas e processos

O desenvolvimento com qualidade, dentro do prazo e com segurança adequada sempre foram objetivos de quem cria soluções tecnológicas. Nos últimos anos, contudo, este último aspecto passou a ser bem mais debatido, pois há uma escalada de ataques cibernéticos no mundo inteiro, colocando pessoas e organizações em altos índices de risco.

Para se ter uma ideia, 51% das empresas detectaram algum tipo de ataque virtual a seus sistemas a partir da pandemia de COVID-19, segundo uma pesquisa global da ACFE e Grant Thornton. E isso tem feito com que governos, entidades de classe e empresas se movimentem para lidar com o problema.

Neste artigo, vamos colocar um olhar sobre o desenvolvimento seguro de sistemas – algo diretamente relacionado a esta situação.

O conceito de desenvolvimento seguro

É importante pontuar que nem sempre o desenvolvimento seguro foi uma alta prioridade para a maioria dos desenvolvedores. Até porquê neste mercado sempre reinou a máxima que diz: chegue ao mercado rapidamente e entregue máxima qualidade.

Só nos últimos anos aumentou a necessidade de se incorporar a segurança nesta equação, considerando-a do início ao fim do processo de desenvolvimento — seja pelo aumento de incidentes relacionados à vulnerabilidade nas aplicações, seja por atualizações nas regulamentações, caso da Lei Geral de Proteção de Dados que recentemente entrou em vigor no Brasil.

Por definição, o desenvolvimento seguro inclui habilitar a segurança das aplicações de ponta a ponta em todas as etapas — do planejamento de requisitos à projeção de arquitetura. Também refere-se a manter este mesmo cuidado atrelado à manutenção da segurança do software e da infraestrutura subjacente (revisão do código-fonte, teste de penetração, etc).

As estratégias de desenvolvimento seguro também devem transbordar para frentes como:

  • políticas de armazenamento de informações;
  • recursos humanos e gerenciamento de fornecedores;
  • ativos usados;
  • canais de comunicação;
  • localização física; negócios;
  • operações e muito mais.

→ Leia também: 3 dicas para um desenvolvimento de software seguro

Os estágios do desenvolvimento seguro

O número e a ‘profundidade’ das medidas serão diferentes dependendo do nível de segurança que se deseja alcançar. Abaixo, você pode encontrar uma visão geral dos aspectos e práticas de desenvolvimento seguro comumente recomendados.

Coleta, priorização e análise de requisitos

No estágio de coleta de requisitos, os especialistas preparam um perfil de risco do aplicativo. O documento descreve os possíveis pontos de entrada para invasores e categoriza os riscos por nível de gravidade, incluindo seu impacto e probabilidade.

Contando com o perfil de risco, bem como com as políticas e padrões de segurança e privacidade da organização, requisitos regulatórios (por exemplo, LGPD), analistas de negócios documentam requisitos.

Projeto: modelagem de ameaças e planejamento de recursos

A modelagem de ameaças ocorre depois que a arquitetura de software de alto nível é projetada e os principais fluxos de dados e pontos de entrada de dados no aplicativo futuro são estabelecidos. Normalmente, inclui as seguintes etapas principais:

  • decompor a arquitetura planejada do aplicativo em componentes funcionais, determinando ameaças a cada um dos componentes;

  • categorizar e priorizar ameaças;

  • planejar e priorizar controles e contramedidas para possíveis ataques.

Com base nos requisitos de segurança e resiliência descritos e nas atividades de modelagem de ameaças, são planejados:

  • arquitetura de software segura (por exemplo, empregando particionamento de aplicativos, abordagem baseada em contêiner).

  • recursos de segurança (criptografia, auditoria/registro, identificação do usuário, verificação e autorização (baseada em senha, multifator, baseada em certificado, baseada em token, biométrica).

  • casos de teste a serem executados nas fases de teste e manutenção.

A modelagem de ameaças é tipicamente iterativa e abrange todo o ciclo de desenvolvimento, começando com uma arquitetura de alto nível (interação entre módulos de software), através do design de arquitetura detalhado e implementação (funções e métodos de código específicos).

Desenvolvimento: práticas seguras de codificação, análise estática e revisão por pares regulares

Neste estágio, os desenvolvedores precisam:

  • empregar práticas de codificação seguras para mitigar ou minimizar vulnerabilidades de alto risco no nível de implementação;

  • usar apenas ferramentas de desenvolvimento seguras (bibliotecas, frameworks, etc.);

  • executar testes de unidade regulares;

  • realizar análises de código estático automatizadas;

  • fazer revisões de pares de código baseadas em listas de verificação específicas de um idioma para detectar tipos de vulnerabilidades que não podem ser identificadas por ferramentas de revisão de segurança automatizadas.

Implantação e suporte: teste de penetração, revisão final de segurança e um plano de resposta a incidentes

O conjunto de práticas sugerido nesta etapa “pós-desenvolvimento” geralmente gira em torno desses tópicos:

  • realização de testes de penetração do software e de sua infraestrutura, correção de problemas de segurança identificados e condução de testes de regressão. Se o desenvolvimento de software for construído interativamente, essas atividades devem ser realizadas em cada construção.

  • revisão final de segurança por especialistas para verificar se os riscos de segurança identificados no curso das atividades de segurança anteriores foram devidamente tratados (corrigidos ou têm um plano de mitigação em vigor).

  • criação de um procedimento de resposta a incidentes;

  • configuração do monitoramento de segurança de aplicativos, realizando testes de regressão de segurança manuais e automatizados;

  • estabelecimento de um processo de feedback e ferramentas para usuários, hackers, etc. para relatar sobre vulnerabilidades reveladas.

Resumindo

O desenvolvimento seguro visa garantir que as aplicações desenvolvidas sejam de fato seguras, de ponta a ponta. Ao mesmo tempo, ele diz respeito à operação de desenho e criação seja confiável, produtiva e livre de problemas.

Neste sentido, todas as etapas do desenvolvimento devem ter a segurança como eixo principal. Para isso, é importante que tudo seja realizado com foco na identificação de problemas, evitando os custos de remediar e impactos negativos.

Por fim, é bastante recomendável recorrer a especialistas no tema do desenvolvimento seguro, especialmente quando se busca técnicas, métodos e soluções de software para auxiliar nisto.

Que tal, conseguimos te fazer pensar sobre a importância do desenvolvimento seguro? Tem algum comentário sobre o tema? Insira abaixo!

Se precisar de ajuda para aumentar o nível de segurança de seu desenvolvimento, fale conosco!

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